Para Giovanna Veríssimo, imagem não se resume ao espelho
Modelo desde a infância e Miss Goiás 2018, a goiana leva para seu trabalho as lições de quem passou mais de duas décadas diante de câmeras e avaliações
Quando foi convidada a se definir, Giovanna Veríssimo não começou pela profissão. Também não citou os títulos conquistados nos concursos de beleza.
“Filha amada de Deus, esposa, disciplinada, sempre focada e determinada nos meus objetivos”, respondeu.
A ordem ajuda a entender como ela enxerga a imagem. A roupa faz parte da conversa, claro, mas não explica uma pessoa inteira.

Giovanna queria ser modelo desde os 8 anos. Foi nessa idade que começou a participar de cursos e concursos. Vieram depois os trabalhos no Brasil e no exterior, campanhas, editoriais e três títulos: Miss Goiânia 2016, Miss Goiás 2018 e Miss Be Emotion 2018.
Ser observada virou parte da rotina. Câmeras registram, seleções comparam e concursos classificam. Depois de anos nesse ambiente, Giovanna passou a prestar atenção não só nas portas que uma imagem bem construída pode abrir, mas também no efeito que ela provoca na própria pessoa.
“A transformação da minha imagem impactou minha trajetória e abriu oportunidades que antes pareciam distantes”, conta.

A fala poderia ser entendida como um simples antes e depois visual. Não é isso que ela descreve. Giovanna inclui nessa mudança a disciplina, o comportamento, a comunicação e a segurança que desenvolveu para lidar com diferentes situações profissionais.
Aos 31 anos, ela continua trabalhando como modelo, influenciadora e produtora de conteúdo. Paralelamente, vem ampliando sua atuação como estrategista de imagem. A mudança aconteceu aos poucos, a partir do que viveu no mercado e das perguntas que começou a fazer sobre o próprio caminho.
Giovanna é formada em Consultoria e Coaching de Imagem pela École Supérieure de Relooking e em Coach e Master Coach pela Febracis. Essa formação deu base técnica a conhecimentos que, até então, vinham principalmente da prática.

No papel, seu trabalho envolve imagem e posicionamento. Na rotina, o assunto passa por escolhas bem mais amplas: como uma mulher se apresenta, fala, se comporta e deseja ser reconhecida. Não se trata de montar uma aparência impecável para uma fotografia, mas de reduzir a distância entre aquilo que a pessoa mostra e o que realmente sustenta fora das câmeras.
É por isso que Giovanna evita limitar o tema ao guarda-roupa. Para ela, a relação de uma mulher com a própria imagem pode aparecer na maneira como se comunica em uma reunião, aceita uma oportunidade, estabelece limites ou enfrenta a exposição nas redes sociais.
“A imagem pode ser uma ferramenta estratégica de transformação, e não apenas estética”, afirma.
Ela também relaciona esse processo à autoestima e à saúde emocional. Não porque uma roupa resolva inseguranças, mas porque a forma como alguém se percebe costuma interferir nas escolhas, nos relacionamentos e na confiança para seguir adiante.
Seu trabalho parte dessa observação. A proposta é ajudar mulheres a reconhecerem o próprio valor e encontrar uma maneira coerente de comunicá-lo, sem depender de uma aparência criada apenas para receber aprovação.
A fé cristã aparece com naturalidade nessa construção. Giovanna diz que seus valores precisam estar presentes no modo como vive e trabalha. Quando o contexto permite, esse aspecto também entra nas conversas sobre identidade, comportamento e propósito.
Ao responder quem mais a inspirou profissionalmente, ela não citou uma modelo, empresária ou personalidade conhecida.
“Minha maior inspiração foi a minha própria trajetória.”
A resposta tem relação com o que viveu desde a infância. Giovanna viu a imagem influenciar oportunidades, mudar percepções e alterar a maneira como passou a enxergar a si mesma. Foi essa experiência, e não uma fórmula aprendida de fora, que despertou o interesse de trabalhar com outras mulheres.
Os próximos passos incluem a consolidação de mentorias, treinamentos e eventos, além da expansão para outros mercados. Giovanna também pretende levar sua atuação para fora do Brasil, agora em uma posição diferente daquela que ocupou nos trabalhos internacionais como modelo.
Durante boa parte da vida, ela aprendeu a entrar em cena e lidar com o olhar alheio. Seu trabalho atual começa um pouco antes: na forma como cada mulher se enxerga, faz escolhas e decide o que deseja comunicar.
O espelho continua ali. Só deixou de ser a resposta para tudo.
(Crédito: Arquivo Pessoal)

