‘Não normalize a dor’: cantora conta como foram os três anos até o diagnóstico de endometriose
Influenciadora Fhabi Hanna relembra diagnóstico após idas recorrentes ao pronto-socorro, cirurgia complexa e seis processos de congelamento de óvulos
Durante três anos, Fhabi Hanna conviveu com dores, sangramentos e idas recorrentes ao pronto-socorro sem saber o que estava por trás dos sintomas. A resposta veio em uma dessas ocasiões, quando um médico sugeriu uma investigação cirúrgica para entender a origem do problema. Foi no centro cirúrgico que ela recebeu o diagnóstico de endometriose. Segundo a cantora e influenciadora, o quadro já havia provocado alterações importantes nos órgãos e colocado sua fertilidade em risco.
“Eu tinha um problema recorrente que me fazia ir constantemente ao pronto-socorro. Foram muitas idas, muitas dores e muitas perguntas sem respostas. Até que um médico perguntou se eu aceitaria ir para o centro cirúrgico para avaliar melhor o meu caso. Eu aceitei. Foi ali que a minha história mudou. Depois de anos tentando entender o que estava acontecendo, finalmente veio o diagnóstico: endometriose”, relembra.

Antes disso, Fhabi havia passado por diferentes ginecologistas. A falta de uma explicação para sintomas que insistiam em voltar fez com que, aos poucos, ela passasse a encarar o sofrimento como algo que precisaria suportar.
“Foram três anos convivendo com dores e sangramentos. É difícil viver assim sem saber exatamente o porquê. Você começa a questionar o próprio corpo e, muitas vezes, acredita que precisa simplesmente aguentar”, conta.

Quando a dor passa a limitar a rotina
Com o agravamento dos sintomas, a situação deixou de ser apenas um incômodo e passou a interferir diretamente na rotina. Segundo Fhabi, a cirurgia se tornou inevitável.
“Eu já não conseguia levar a vida da mesma maneira. Foi quando decidi parar tudo e cuidar da minha saúde. Entendi que, naquele momento, não existia trabalho, compromisso ou qualquer outra prioridade maior do que eu mesma”, diz.
A investigação revelou a extensão do quadro. De acordo com o relato da cantora, a endometriose havia provocado aderências entre os órgãos, além da presença de cistos e um mioma. A equipe médica considerou o caso delicado e indicou uma cirurgia de urgência.
“Foi assustador. Quando avaliaram a extensão do problema, ficou claro que a cirurgia precisava ser feita com urgência. Meus órgãos estavam todos grudados, praticamente como uma única massa. Além disso, foram encontrados cistos e um mioma. Era uma situação muito delicada e o procedimento foi extremamente complexo”, descreve.
O pós-operatório também foi difícil, mas trouxe uma perspectiva que, até então, parecia incerta: a possibilidade de recuperar a qualidade de vida.
“A recuperação foi muito dolorosa. Mas, olhando para trás, entendo que aquela dor fazia parte de uma decisão muito maior: voltar a ter qualidade de vida”, reflete.
‘Existiam grandes chances de precisar retirar o útero ou o ovário’
Antes da operação, Fhabi ainda precisou lidar com a possibilidade de perder a capacidade de engravidar. Segundo ela, o médico explicou que tentaria preservar sua fertilidade, mas que a extensão do quadro poderia tornar necessária a retirada do útero ou do ovário esquerdo.
“Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. Antes de entrar na sala de cirurgia, o médico explicou toda a situação e disse que faria tudo o que estivesse ao alcance dele para preservar a minha fertilidade, mas que existiam grandes chances de precisar retirar o útero ou o ovário esquerdo. Eu simplesmente chorei”, recorda.
Diante da possibilidade, ela conta que decidiu confiar na equipe responsável pelo procedimento.
“Disse a ele para fazer o melhor que pudesse. Naquele momento, eu só queria parar de sofrer. Entreguei tudo nas mãos de Deus e entrei naquela sala confiando”, relata.
Ao acordar, recebeu a notícia que esperava. “O médico me disse que a cirurgia havia sido um sucesso. E falou algo que eu jamais vou esquecer: que havia feito aquela cirurgia como se estivesse fazendo para a própria filha”, lembra.
Na sequência, ouviu a frase que mudaria a perspectiva daquele momento: “Você pode ser mãe. Vai se recuperar e vai seguir a sua vida.”
“Eu não tinha palavras para agradecer. Depois de tudo o que havia vivido, ouvir aquilo foi como receber uma segunda chance”, resume.
Seis processos de congelamento de óvulos
Depois da cirurgia, a possibilidade de maternidade passou a ocupar outro lugar nos planos de Fhabi. Para preservar suas chances de engravidar no futuro, ela decidiu recorrer ao congelamento de óvulos. Ao todo, foram seis processos.
“Foi uma experiência extremamente desgastante, tanto física quanto emocionalmente. No último tratamento, passei por uma estimulação hormonal que mexeu muito com o meu corpo. Tive alterações de humor, insônia, mal-estar e cheguei a ganhar cerca de cinco quilos em apenas uma semana”, detalha.
Os efeitos do tratamento fizeram com que ela percebesse o nível de desgaste físico a que estava submetida. “Em determinado momento, percebi o quanto o meu corpo estava exausto”, observa.
Apesar das dificuldades, Fhabi conseguiu concluir o tratamento e diz ter alcançado bons resultados. Para ela, a experiência ganhou um significado que vai além dos números obtidos nos exames.
“Consegui concluir o tratamento e tive bons resultados. Para mim, aquilo representou muito mais do que números ou exames. Representou a possibilidade de preservar um sonho”, pontua.
Um alerta para outras mulheres
Hoje, ao revisitar os três anos entre o surgimento dos primeiros sintomas e o diagnóstico, Fhabi vê na própria história um alerta sobre a importância de investigar sinais persistentes e continuar buscando respostas.
Ela frisa que, mesmo depois de passar por diferentes profissionais, nunca se limitou a uma única avaliação. “Foram muitos momentos difíceis e muitos diagnósticos errados até eu descobrir o que realmente estava me adoecendo. E existe algo que eu nunca fiz: aceitei uma única opinião médica.”
A partir da própria experiência, ela incentiva outras mulheres a procurarem novas avaliações quando os sintomas persistirem sem uma explicação clara.
“Meu conselho para qualquer mulher é: seja forte e não tenha medo de buscar respostas. Confirme um diagnóstico. Busque uma segunda opinião, uma terceira, quantas forem necessárias até encontrar a solução”, ressalta.
Depois de anos tentando entender os sinais que o próprio organismo apresentava, Fhabi traduz o aprendizado em uma recomendação: “Não normalize a dor. Não ignore os sinais do seu corpo. Não aceite simplesmente conviver com aquilo que está te fazendo sofrer. Cuide de você com carinho. Questione. Procure. Insista. Até encontrar a resposta.”
(Crédito: Trumpas)

