Livro “Cara de Nada” propõe reflexão sobre autoestima e identidade na infância
Obra de Ademir Luiz, ilustrada por Tiago Duarte, marca a estreia do escritor na literatura infantil e utiliza a metáfora do zero para abordar individualidade, pertencimento e autoconhecimento
“Cara de Nada”, livro infantil de Ademir Luiz, com ilustrações de Tiago Duarte e publicado pela Editora Mondru. A obra marca a estreia do escritor e historiador na literatura infantil e propõe uma reflexão sobre identidade, autoestima e pertencimento.
A narrativa acompanha um menino que, desde o nascimento, sente que tem “cara de nada”, comparando-se a um “zero bem redondinho”. A partir dessa percepção, a história aborda as inseguranças, as comparações e as pressões enfrentadas pelas crianças, explorando como cada indivíduo enxerga a si mesmo e é percebido pelos outros.
A inspiração para o livro surgiu da experiência de Ademir Luiz como gestor cultural e crítico literário, ao observar a qualidade de obras destinadas ao público infantil e infantojuvenil.
“Um livro infantil precisa ser tão caprichado quanto um livro para adultos”, afirma o autor, ao criticar narrativas que subestimam a inteligência das crianças e apresentam histórias pouco convincentes.
Com linguagem acessível e referências à cultura pop, Cara de Nada valoriza a individualidade e questiona a necessidade de corresponder às expectativas externas. Ao longo da narrativa, o protagonista é comparado aos pais e tios e até ganha o apelido de quem tem “cara de joelho”, em situações que combinam humor e reflexão.
A obra também rompe com estereótipos de masculinidade, como a ideia de que “homem não chora”, permitindo que o menino expresse suas emoções. Nesse percurso, suas lágrimas se transformam em um mar no qual ele pode “nadar com sua cara de nada”, imagem que confere à história uma dimensão poética.
Outro recurso simbólico é a matemática. O personagem descobre que o zero, aparentemente insignificante quando está à esquerda de um número, pode multiplicar seu valor quando colocado à direita. A metáfora reforça a importância de reconhecer o próprio potencial e o papel de cada indivíduo em um conjunto.
A transformação do menino também se manifesta na maneira como ele se relaciona com o mundo. As máscaras de pirata e policial, usadas nas brincadeiras, dão lugar aos óculos, que simbolizam uma nova forma de enxergar a realidade e a si mesmo.
Ao falar sobre suas expectativas, Ademir Luiz destaca o desejo de dialogar com crianças contemporâneas, familiarizadas com universos como Marvel e Star Wars, além de álbuns de figurinhas, skate e videogames.
“Fiz o livro pensando em meus sobrinhos. Não é por acaso que o livro é dedicado para eles, Netto e João Paulo”, conta o escritor. Sobre a possibilidade de a obra ser especialmente voltada aos meninos, acrescenta: “O que significa que o próximo projeto talvez possa ser um livro para meninas. Eu adoraria escrever”.
Links de fotos (Crédito: Divulgação)
https://drive.google.com/file/d/1dNploHBzBmcerj2D2jdYMYDT5VvVYFeR/view?usp=drive_link
https://drive.google.com/drive/folders/1oygHHQ4e1gZyHNJiVd-2U6AXBbwONM8j?usp=drive_link
Sobre o autor
Doutor em História, com especialização no período medieval, Ademir Luiz realizou pós-doutorado em Poéticas Visuais e Processos de Criação. Foi bolsista pesquisador do Instituto Camões, de Portugal, e indicado ao Prêmio Capes de Teses. Professor universitário, é editor do periódico acadêmico Revista Nós: Cultura, Estética e Linguagens. Também atua como romancista, contista, quadrinista e ensaísta.
Entre seus livros estão os romances Apologia ao fim, vencedor do Prêmio Cora Coralina; Fogo de Junho, vencedor do Prêmio Hugo de Carvalho Ramos; e O Wikiota. Assinou ainda o roteiro da graphic novel Conclave, ilustrada por Rafael Campos Rocha, e criou a chamada Teoria do Chaves, publicada na Revista Bula.
Serviço
Livro: Cara de Nada
Autor: Ademir Luiz
Ilustrações: Tiago Duarte
Editora: Mondru — confirmar grafia oficial
Gênero: Literatura infantil/infantojuvenil
Preço sugerido: R$ 79,90

