Estudante brasileira embarca para missão científica ao Polo Norte após vencer concurso internacional
A estudante do Ceará Júlia Passarini, de 16 anos, foi a vencedora da etapa brasileira do Quebra-Gelo do Conhecimento 2026 e já segue rumo ao Ártico em uma expedição promovida pela Rosatom
A estudante do Ceará Júlia Passarini, de 16 anos, embarcou nesta semana para o Ártico após vencer a etapa brasileira do concurso internacional Quebra-Gelo do Conhecimento 2026. Selecionada entre cerca de 5 mil estudantes, de 23 países, ela representa o Brasil em uma expedição científica promovida pela estatal russa de energia nuclear Rosatom, a bordo do quebra-gelo de propulsão nuclear 50 Let Pobedy (50 Anos da Vitória).
Durante cerca de dez dias, os participantes percorrerão o Oceano Ártico em uma programação que combina palestras, workshops, experimentos científicos, atividades práticas e intercâmbio cultural. A expedição também proporciona contato com pesquisadores e especialistas, além de experiências voltadas à navegação polar, ao funcionamento de um quebra-gelo nuclear e às aplicações das tecnologias nucleares em áreas como medicina, indústria, agricultura, pesquisa científica e preservação ambiental.
“Vou me lembrar deste dia para sempre. Neste momento, são muitas emoções: alegria, ansiedade, entusiasmo e uma enorme vontade de partir logo nessa viagem. Sempre gostei de tudo o que é novo e de descobrir como o mundo funciona. Para mim, esta expedição é um verdadeiro presente. Estamos partindo rumo ao Polo Norte, e isso parece inacreditável. Quero absorver cada minuto desta viagem, aprender coisas novas, fazer perguntas e voltar para casa com uma vontade ainda maior de estudar, explorar e seguir em frente” afirmou Júlia antes de embarcar.
A vaga é resultado de uma trajetória de destaque em competições acadêmicas. Apaixonada por matemática e ciência, Júlia conquistou medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), medalha de bronze na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) e o quinto lugar na Pan American Girls’ Mathematical Olympiad (PAGMO) 2025. O desempenho também lhe garantiu uma bolsa integral de estudos no Colégio Farias Brito.
Além das competições, a estudante participa de projetos sociais voltados ao ensino de matemática para meninas, integra iniciativas de liderança estudantil e é cofundadora de uma startup de educação financeira, iniciativas que refletem seu interesse em compartilhar conhecimento e estimular outros jovens a seguirem o caminho da ciência.
Seleção
O processo seletivo internacional foi dividido em três etapas. Os candidatos responderam a um quiz sobre ciência, tecnologia e conhecimentos gerais, participaram de webinars com especialistas do setor nuclear e, na fase final, produziram um vídeo sobre o tema “Como as tecnologias nucleares estão mudando o mundo hoje”. Júlia conquistou a vaga ao apresentar um projeto mostrando como essas tecnologias podem contribuir para melhorar a qualidade de vida em áreas como medicina, pesquisa científica, indústria e preservação ambiental.
Segundo a estudante, o concurso também ampliou sua visão sobre o potencial da tecnologia nuclear. “Meu interesse pela energia nuclear cresceu demais durante o processo. Antes eu só conhecia o básico, mas descobri que ela vai muito além da produção de energia. Ela está na medicina, na pesquisa, na indústria e até na preservação do meio ambiente.”
Realizado pela sétima vez, o Quebra-Gelo do Conhecimento é um projeto internacional científico e educacional promovido pela Rosatom. A iniciativa busca despertar o interesse de estudantes pelas ciências naturais e aproximá-los de aplicações concretas da tecnologia nuclear, reunindo jovens de diferentes países em uma experiência de formação científica e intercâmbio internacional.
A edição de 2026 dá continuidade à participação brasileira no programa. Em 2025, o estudante carioca Octávio Gomes tornou-se o primeiro representante do país na expedição. Após retornar ao Brasil, compartilhou a experiência em sua escola, iniciativa que motivou uma visita educacional às usinas nucleares de Angra 1 e Angra 2.
Nos próximos dias, Júlia trocará a rotina da sala de aula pela paisagem do Oceano Ártico. Ao lado de estudantes, pesquisadores e especialistas de diferentes partes do mundo, viverá uma experiência rara mesmo entre jovens cientistas. Na bagagem de volta, pretende trazer novos conhecimentos e compartilhá-los com outros estudantes, mostrando que a ciência pode abrir caminhos para transformar realidades.
(Fotos: Divulgação)

