Saúde

Agosto Dourado: 7 orientações de pediatras para tornar a amamentação mais tranquila e fortalecer a saúde do bebê

Especialistas destacam que informação, acolhimento e rede de apoio fazem diferença para o sucesso do aleitamento materno, que beneficia mãe e filho desde os primeiros dias de vida

Durante o mês de agosto, a cor dourada ganha um significado especial na área da saúde. A campanha Agosto Dourado, que engloba a Semana Mundial da Amamentação, realizada entre os dias 1º e 7 de agosto, mobiliza profissionais de saúde, instituições e famílias para reforçar a importância do aleitamento materno como uma das estratégias mais eficazes para promover a saúde infantil e reduzir o risco de doenças ao longo da vida.

Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como o alimento ideal para os primeiros meses de vida, o leite materno reúne todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento do bebê, além de anticorpos, células de defesa e substâncias que fortalecem o sistema imunológico. Para as mães, os benefícios também são significativos, incluindo uma recuperação mais rápida no pós-parto e redução do risco de diversas doenças.

Apesar de ser um processo natural, a amamentação nem sempre acontece sem desafios. Dor, insegurança, dificuldades na pega e falta de apoio estão entre os principais motivos que levam ao desmame precoce. Segundo as pediatras Dra. Ana Carolina Viégas e Dra. Renata Castro, grande parte dessas dificuldades pode ser superada com orientação adequada e acompanhamento profissional.

Confira sete orientações das especialistas para tornar esse período mais seguro e tranquilo.

O leite materno oferece tudo o que o bebê precisa

Nos primeiros seis meses de vida, o leite materno é suficiente para atender às necessidades nutricionais do bebê. Sua composição muda ao longo do crescimento da criança, oferecendo exatamente os nutrientes necessários em cada etapa do desenvolvimento.

Dra. Ana Carolina Viégas explica que esse é um dos maiores diferenciais do leite humano.

“O leite materno é um alimento vivo, que se adapta às necessidades do bebê em diferentes fases do crescimento. Ele fornece proteínas, gorduras, vitaminas, minerais e fatores de proteção que ajudam na formação do sistema imunológico e no desenvolvimento saudável da criança.”

(Dra. Ana Carolina)

A amamentação fortalece a imunidade desde os primeiros dias

Durante os primeiros meses de vida, o organismo do bebê ainda está formando suas próprias defesas. Nesse período, o leite materno funciona como uma importante proteção contra vírus, bactérias e outras infecções, reduzindo também o risco de internações.

Segundo a pediatra Dra. Renata Castro, esse benefício vai muito além da nutrição.

“O leite materno é um alimento vivo, produzido de acordo com as necessidades do bebê em cada fase do desenvolvimento. Além de fornecer proteínas, gorduras, vitaminas e minerais na medida certa, ele contém anticorpos, células de defesa e fatores imunológicos que ajudam a proteger contra infecções e contribuem para o amadurecimento do sistema imunológico.”

(Dra. Renata Castro)

As dificuldades iniciais não significam que a amamentação vai fracassar

Os primeiros dias costumam ser marcados por insegurança, dores e dúvidas. Para as especialistas, isso faz parte da adaptação da mãe e do bebê e não deve ser motivo para desistir do aleitamento sem antes buscar ajuda.

Para a Dra. Ana Carolina Viégas, acolhimento e orientação fazem toda a diferença.

“Existe uma expectativa de que a amamentação seja sempre intuitiva e fácil, mas muitas mulheres precisam de orientação e apoio. Dificuldades iniciais são comuns e, na maioria dos casos, podem ser superadas com acompanhamento adequado.”

Não existe leite materno fraco

Mesmo sendo um dos mitos mais antigos relacionados à amamentação, a ideia de que algumas mulheres produzem um leite insuficiente ou “fraco” não encontra respaldo científico. A frequência das mamadas costuma estar relacionada à rápida digestão do leite humano e não à sua qualidade.

A Dra. Renata Castro reforça que esse conceito deve ser deixado para trás.

“Não existe leite materno fraco. O leite humano é completo e se adapta às necessidades nutricionais do bebê. Em muitos casos, a impressão de que o leite é insuficiente está relacionada à livre demanda, que faz o bebê mamar com maior frequência justamente porque o leite materno é facilmente digerido.”

Uma boa pega evita dor e melhora a alimentação do bebê

Grande parte dos desconfortos relatados pelas mães está relacionada à forma como o bebê faz a sucção. Pequenas mudanças na posição durante a mamada costumam resolver problemas como fissuras, dor e dificuldade para retirar o leite.

Segundo a Dra. Ana Carolina Viégas, esse detalhe faz toda a diferença.

“Uma boa pega permite que o bebê consiga extrair o leite de maneira adequada e evita que a mãe tenha dor durante as mamadas. Muitas vezes, pequenos ajustes na posição e no manejo fazem uma grande diferença para a continuidade do aleitamento.”

A amamentação também protege a saúde da mulher

Além de favorecer o crescimento saudável da criança, o aleitamento proporciona benefícios importantes para a mãe. Estudos mostram que mulheres que amamentam apresentam menor risco de desenvolver algumas doenças crônicas e determinados tipos de câncer.

A pediatra Dra. Renata Castro destaca que esse cuidado gera impactos positivos por muitos anos.

“Além de favorecer a recuperação após o parto, a amamentação está associada à redução do risco de câncer de mama, câncer de ovário, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. É um cuidado que beneficia duas vidas ao mesmo tempo.”

Nenhuma mãe deve amamentar sozinha

Especialistas destacam que o sucesso da amamentação depende também da participação da família, dos profissionais de saúde, dos empregadores e da sociedade. Ter uma rede de apoio faz com que a mulher se sinta mais segura para enfrentar as dificuldades naturais desse período.

Para a Dra. Ana Carolina Viégas, essa responsabilidade deve ser compartilhada.

“Amamentar não é uma responsabilidade apenas da mãe. A família, os profissionais de saúde, o ambiente de trabalho e toda a sociedade têm um papel importante em oferecer condições para que essa mulher consiga amamentar pelo tempo que for possível e desejado.”

A recomendação da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde é que o aleitamento materno seja exclusivo até os seis meses de vida e continue, juntamente com a alimentação complementar, até os dois anos de idade ou mais. Durante o Agosto Dourado, a campanha reforça que apoiar a amamentação significa investir na saúde, no desenvolvimento infantil e na qualidade de vida das futuras gerações.

Sobre as especialistas

Dra. Ana Carolina Viégas é médica pediatra, especialista em Pediatria e Terapia Intensiva Pediátrica. Atua no acompanhamento da saúde infantil, desde os primeiros cuidados do recém-nascido até o atendimento de crianças com necessidades de maior complexidade, com foco em prevenção, desenvolvimento saudável e cuidado humanizado.

Dra. Renata Castro é médica pediatra e atua no acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil, com foco na promoção da saúde, prevenção de doenças e incentivo ao aleitamento materno como uma das principais estratégias para garantir qualidade de vida desde os primeiros dias de vida.

(Fotos: Canva/Arquivo Pessoal)

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