Reestreia de “Os Saltimbancos” marca retorno de uma das maiores produções musicais mineiras ao Palácio das Artes
Criada e dirigida por Carlos Gradim, a montagem, que em 2011 arrebatou mais de 11 mil espectadores e colocou Minas Gerais no circuito das grandes produções musicais, volta à cena após 15 anos ainda mais potente. Com 16 atores, 9 músicos e uma orquestra ao vivo, o musical promete encantar o público de todas as gerações com a sua estética e força poética. As apresentações acontecem entre os dias 15 e 19 de janeiro.
Quinze anos após emocionar o público mineiro, o musical Os Saltimbancos volta ao palco do Palácio das Artes para uma curtíssima temporada, de 15 a 19 de janeiro. Em nova montagem da Odeon Companhia Teatral, o espetáculo tem criação e direção de Carlos Gradim, que resgata o texto original e revisita coreografias, figurinos e ambientação para enfatizar debates atuais como desigualdade, violência simbólica, opressão e etarismo.
Em 2011, Os Saltimbancos arrebatou 11.700 espectadores, em 12 apresentações na capital mineira, tornando-se um dos maiores sucessos da 37ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança e marcando a entrada definitiva de Minas Gerais no circuito das grandes produções musicais. Agora, a obra baseada no texto de Sérgio Bardotti e Luis Enríquez Bacalov, com adaptação de Chico Buarque, retorna ainda mais potente, sem perder a ternura e a força poética do original. “É uma grande produção que encantou o público em 2011 e irá emocionar a plateia em sua nova versão. Remontar esse espetáculo é como resgatar a poesia na vida e iluminar questões essenciais do nosso tempo. É um texto que remete a um futuro desejável”, define Carlos Gradim.
Os Saltimbancos fica em cartaz de 15 a 19 de janeiro, quinta, sexta e segunda, às 19h; sábado, às 11h e às 17h30; e domingo, às 17h30, no Grande Teatro CEMIG Palácio das Artes. Este projeto é realizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, por meio do Ministério da Cultura, e pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, com apoio da Fundação Clóvis Salgado, patrocínio da Cemig e realização do Instituto Odeon, do Governo de Minas Gerais e do Governo Federal – União e Reconstrução.
A montagem reafirma o compromisso da Odeon de produzir musicais em padrão nacional. São 16 atores e 9 músicos em cena, com orquestra ao vivo e uma equipe técnica e artística de mais de 40 profissionais. “Belo Horizonte está sempre na rota dos grandes musicais, produzidos no Rio e São Paulo. Mas a cidade é carente de grandes produções locais. Em BH temos espetáculos cantados, mas não musicais com essa estrutura, que contempla uma orquestra, direção musical, volume de corpos, atores e solistas.”, garante Gradim, que destaca a Direção Musical, Arranjos e Regência de Rafael Martini; Direção Coreográfica e Preparação Corporal de Eliatrice Gischewski; e Cenografia e Figurinos de Márcio Medina.
Sensível, lúdico e atemporal, Os Saltimbancos acompanha um jumento, um cachorro, uma galinha e uma gata que, cansados de maus-tratos, fogem de seus patrões e seguem para a cidade em busca do sonho de se tornarem artistas. Com um texto que passa de geração para geração, debates atuais como desigualdade, violência simbólica e etarismo ganham luz no espetáculo, especialmente na produção de Gradim. “A proposta é iluminar essas questões dentro do texto: a diversidade, o respeito, a igualdade e o direito à liberdade. O espetáculo fala do coletivo, da percepção do outro, de um futuro que precisa ser ressignificado agora. E a obra, quando chega nesse lugar, é encantadora”, sublinha Gradim.
O diretor conta que a cenografia de Márcio Medina, que também assinou o cenário em 2011, ganha novos contornos e elementos, fazendo uma referência a esse mundo apartado. “O cenário foi ressignificado. Estamos trazendo uma grande cerca que será manipulada durantes as cenas, interagindo com os atores, como uma metáfora: a cerca é o que prende e o que separa, é aquilo que trava a possibilidade de união e liberdade”, explica Gradim.
Os figurinos desempenham papel crucial na construção da identidade visual dos personagens e da narrativa, pela riqueza de detalhes. Carlos Gradim e Márcio Medina optaram por manter as peças originais, que foram preservadas ao longo desses 15 anos. Mas a remontagem traz algumas criações. “O figurino se mantém quase que o original, com pequenas adaptações e também novas produções para alguns personagens. Como os patrões, que na primeira versão foram representados pelos traficantes de animais, mas que reassumem o seu lugar no espetáculo e ganham características próprias. As cabeças dos personagens, que foram criteriosamente confeccionadas em 2011, também foram cuidadosamente preservadas, com rigor, e retornam nesta versão”, conta Gradim.
O repertório segue original, com os arranjos da primeira versão, e canções orquestradas pelos músicos e cantadas ao vivo pelos 16 atores em cena, incluindo os solistas Rose Brant, Regina Souza e Marcelo Veronez, que estrearam o musical em 2011, e Diego Roberto, que chega para completar o elenco central na remontagem. Atriz da primeira versão, Rose Brant, encarna novamente a pele da Gata, e conta que aprofundou agora as camadas de sua personagem. Para isso, precisou manter a energia vital da arte de fazer teatro. “O desafio foi trazer para a cena toda a disponibilidade física que esse personagem exige, provando que a idade não é limitadora”. A atriz diz que o seu reencontro com a Gata, após 15 anos, acontece com um novo olhar. “São outros tempos, em uma outra idade, que me aproxima mais da personagem, por estar vivenciando esse lugar: dá incapacidade e da limitação que a sociedade tenta impor às mulheres, após os 50 anos”.
Outra atriz presente na montagem de 2011, Regina Souza, volta ao papel da Galinha nesta versão, com nova consciência e profundidade: “foi um grande presente e, ao mesmo tempo, um grande desafio. A Galinha exige um corpo alongado, ágil, com muito tônus e resistência. Hoje, me divirto ainda mais com ela, e posso revisitar minha construção anterior trazendo uma renovação da minha própria percepção”, salienta. A artista destaca a importância do debate contemporâneo sobre etarismo no espetáculo. “Há 15 anos não se falava tanto sobre isso; no texto, a Galinha é chamada de velha e descartada”. E resume o impacto da obra em sua trajetória. “Ela toca em pontos fundamentais: amizade, solidariedade, diferenças, coragem, justiça. É a arte em que acredito, que faz refletir, sonhar e transformar”.
Marcelo Veronez volta ao elenco do espetáculo interpretando o Cachorro, que mesmo após 15 anos ainda é latente no ator. Ele conta que já nos primeiros ensaios descobriu que a energia do personagem ainda está muito presente no seu corpo. “Rapidamente eu identifiquei rastros que me fizeram chegar naquela ideia que construímos para o Cachorro lá atrás, na primeira montagem. É claro que com algumas adaptações, pois o texto é atemporal e nos permite isso. Mas eu sinto que o personagem me abraçou em 2011 e que eu consegui abraçá-lo de volta, 15 anos depois”, diz Veronez, que completa: “Os Saltimbancos é muito importante para história do teatro brasileiro, é um grande clássico, que se mantém muito potente e atual, por trazer uma história comum, da busca pela liberdade e de uma melhor condição de vida. E essa é uma questão universal. O texto me toca nesse lugar, da universalidade, de poder contar uma história que diz sobre todos nós.”
Já Diego Roberto entra como novo integrante do elenco para assumir um dos personagens centrais do musical, o Jumento. “O Jumento é um personagem que me instiga e me coloca em estado de busca constante. É simples sem ser simplório, forte sem ser agressivo, e tem muitas camadas que tento desvendar a cada dia”, resume. O ator celebra a oportunidade de integrar a nova montagem: “diferente dos meus colegas, que revisitam o extraordinário dessa história, eu acabo de chegar. É um privilégio dar vida ao personagem que conta essa narrativa, ainda mais construindo caminhos dramatúrgicos com artistas tão admiráveis”.
No coro e família dos animais estão os artistas Airon Gischewski, Ana Hamzi, Andréa Rodrigues, Bernardo Rocha, Célio Souza, Gabriela Dominguez, Gil Guedes, Jéssica Pierina, Nina Moll, Nicolie Zalin, Ricardo Ikier e Thay Lenck. Completam o time os músicos Adélia Cristina, Antonio Loureiro, Arthur Figueiredo, João Machala, Lucas Telles, Paulo Sartori, Robson Fonseca e Thamiris Cunha.
A Odeon Companhia Teatral foi fundada em 1998 por Carlos Gradim e Yara de Novaes. A ideia inicial era criar um grupo com linguagem própria e foco na dramaturgia do espaço. Com o tempo, porém, os objetivos diversificaram e a atuação da Companhia foi ampliada, com foco em novas linguagens: encenação de textos clássicos e contemporâneos, partindo de dramaturgias próprias ou de composições cênicas já consagradas, com destaque para o trabalho de recriação.
SERVIÇO
Musical Os Saltimbancos – reestreia
Direção: Carlos Gradim
Companhia: Odeon Companhia Teatral
Datas: 15 a 19 de janeiro
Horários: quinta, sexta e segunda, às 19h; sábado, às 11h e às 17h30;
domingo, às 17h30
Local: Grande Teatro do Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537, Funcionários)
Ingressos antecipados pelo Sinparc
Preço único: R$25,00
No dia do evento na bilheteria do teatro (sujeito a disponibilidade)
R$60,00 (inteira) e R$30,00 (meia entrada)
FICHA TÉCNICA – OS SALTIMBANCOS
Texto Original: Sergio Bardotti e Luis Enríquez Bacalov
Versão em português: Chico Buarque
Direção Geral: Carlos Gradim
Elenco:
Solistas: Diego Roberto, Marcelo Veronez, Regina Souza e Rose Brant
Coro e família dos animais: Airon Gischewski, Ana Hamzi, Andréa Rodrigues, Bernardo Rocha, Célio Souza, Gabriela Dominguez, Gil Guedes, Jéssica Pierina, Nina Moll, Nicolie Zalin, Ricardo Ikier, Thay Lenck
Direção Musical e Arranjos* (2025): Rafael Martini
Músicos
Adélia Cristina, Antonio Loureiro, Arthur Figueiredo, João Machala, Lucas Telles, Paulo Sartori, Rafael Martini, Robson Fonseca, Thamiris Cunha
*A concepção musical deste espetáculo é a mesma da primeira montagem de 2010, cuja direção musical é de Morris.
Direção Coreográfica e Preparação Corporal: Eliatrice Gischewski
Cenografia e Figurinos: Márcio Medina
Direção de Produção: Tiago Sgarbi (Trama Gestão e Produção)
Coordenação de Comunicação: UMA Assessorias | Bruna Sobreira e Marina Abelha
Pré-Produção: Rubim Produções
Preparação Vocal: João Melo
Design de Luz: Marina Arthuzzi
Assistente de design de luz: Rodrigo Marçal
Orquestração e Regência: Rafael Martini
Apoio a dramaturgia: Edmundo Novaes Gomes
Assistente de Direção: Eliatrice Gischewski e Maria Carolina Vieira
Assistente de Direção Coreográfica: Maria Carolina Vieira
Assistente de Produção: Marco Túlio Zerlotini
Assistente de Comunicação: Letícia Falcão
Engenheiro de Som: Flora Guerra e Rafa Dutra
Cenotécnico: Artes Cênica Produções
Realização: Odeon Companhia Teatral
Agradecimentos: Teatro Francisco Nunes, Esaú Felipe da Silva

