Peptídeos ganham espaço no mundo fitness, mas exigem cautela e acompanhamento médico, alerta nutrólogo
Compostos bioativos avançam como ferramentas terapêuticas no suporte metabólico, na recuperação muscular e no tratamento da obesidade, desde que usados com base em evidência científica e acompanhamento profissional
O uso de peptídeos tem ganhado espaço na medicina integrativa e na saúde metabólica como uma alternativa terapêutica em contextos específicos de emagrecimento, performance física e recuperação muscular. Diferentemente de suplementos alimentares, essas substâncias são compostos bioativos que atuam diretamente em processos celulares e hormonais, o que exige prescrição individualizada e acompanhamento médico rigoroso.
Segundo o nutrólogo Dr. André Guanabara, os peptídeos são cadeias curtas de aminoácidos que funcionam como mensageiros no organismo. “Eles sinalizam funções específicas, como a regulação metabólica, a reparação de tecidos, o estímulo à produção hormonal e a melhora da eficiência energética. Por isso, seu uso pode trazer benefícios relevantes quando bem indicado”, explica.
No contexto do emagrecimento, os peptídeos vêm sendo estudados pelo potencial de auxiliar no equilíbrio metabólico, no controle da inflamação sistêmica e na redução de gordura corporal. Já na performance física, podem contribuir para uma recuperação muscular mais eficiente, melhora da qualidade do sono e suporte hormonal..
Os avanços científicos também têm aberto espaço para o desenvolvimento de novas moléculas. Um exemplo é o CLB-514, peptídeo atualmente em fase de estudos clínicos, investigado por sua atuação direcionada na gordura localizada. Ainda sem liberação para uso comercial, a substância representa um possível avanço no tratamento da obesidade, ao indicar caminhos mais precisos e direcionados para o combate à doença. “Essas pesquisas mostram como a ciência tem evoluído para oferecer tratamentos cada vez mais específicos e eficazes, sempre respeitando critérios de segurança e evidência”, destaca o médico.
Apesar do potencial terapêutico, especialistas alertam para os riscos do uso indiscriminado. Comunicados recentes de órgãos reguladores chamam atenção para a comercialização irregular de peptídeos sem registro ou indicação adequada para uso humano. “São substâncias que interferem em mecanismos sensíveis do organismo. O uso sem orientação pode causar desequilíbrios hormonais, retenção de líquidos, alterações na pressão arterial e outros efeitos adversos”, alerta Dr. Guanabara.
Nesse cenário, o acompanhamento médico é fundamental para garantir segurança e resultados sustentáveis. “Peptídeos não são soluções milagrosas. Eles podem ser aliados importantes no tratamento da obesidade, de distúrbios metabólicos e na recuperação física, desde que utilizados dentro de protocolos clínicos bem definidos, com indicação precisa e monitoramento contínuo”, conclui.

