Minas perde solo em ritmo acelerado: erosão já ameaça cidades e estradas, e projeto do Ivoti mostra como conter o avanço
Áreas degradadas crescem sem controle em várias regiões do estado; iniciativa apresenta técnicas eficazes para estabilizar encostas, recuperar bacias e interromper a formação de voçorocas
O avanço da erosão em Minas Gerais alcançou níveis críticos. Em diversas regiões do estado, especialmente no Quadrilátero Ferrífero, voçorocas — grandes crateras abertas pela perda acelerada de solo — têm se expandido em direção a estradas rurais, pequenas propriedades e áreas de recarga hídrica. O fenômeno é resultado de décadas de uso inadequado do solo, retirada da vegetação nativa e alterações naturais do relevo, e vem colocando em risco atividades agrícolas, segurança viária e a estabilidade de encostas.
Diante desse cenário, uma frente de recuperação conduzida pelo Grupo Tazay, em Itabirito/MG, se tornou referência ao aplicar técnicas integradas de engenharia ambiental, engenharia geotécnica, biologia, ecologia e demais disciplinas afins para frear processos erosivos severos e recuperar áreas consideradas “perdidas”.
Erosão avança em Minas e ameaça o território
Segundo o Panorama das Águas de Minas Gerais 2023, relatório oficial do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), as bacias hidrográficas do estado enfrentam crescente pressão por perda de solo, assoreamento e degradação ambiental. O problema é ainda mais evidente nas regiões de relevo acentuado (como Itabirito, Ouro Preto e Nova Lima) onde a combinação entre chuvas intensas, declividade natural e solo exposto acelera a formação de voçorocas, capazes de comprometer nascentes, cursos d’água e a estabilidade de encostas inteiras.
Essas estruturas podem chegar a dezenas de metros de profundidade e expandir rapidamente, comprometendo moradias, plantações e rotas de escoamento. Em algumas localidades, comunidades rurais relatam que áreas inteiras se tornam intransitáveis após períodos de chuva.
A metodologia aplicada pela equipe do Grupo Tazay integra três etapas principais: recomposição do solo, controle de drenagem e restauração ecológica. Antes de qualquer intervenção, cada área é submetida a um diagnóstico técnico completo, com análises geotécnicas/ambientais, estudo de risco erosivo, avaliação do fluxo natural da água, dentre outros.
Como funciona a técnica que tem barrado a evolução das voçorocas
A recomposição física do solo é feita com materiais minerários classificados como não perigosos, rastreados e licenciados pelos órgãos ambientais. Esses materiais — semelhantes geologicamente ao solo perdido — substituem insumos que seriam retirados da natureza e evitam o acúmulo em pilhas e barragens. Até o momento, mais de 4 milhões de toneladas foram usadas para estabilizar processos erosivos intensos e impedir o avanço destes. O material empregado — rejeitos não perigosos que seriam destinados em estruturas como pilhas — funciona como uma espécie de “solo devolvido ao solo”, capaz de restaurar áreas fragilizadas pela erosão.
Um etapa crucial é o correto dimensionamento e aplicação dos sistemas de drenagem. Sem ela, qualquer recomposição cederia com o tempo. A drenagem direciona o fluxo de água, reduz a pressão sobre o terreno e impede o retorno do processo erosivo.
Depois de estabilizada, a área recebe o plantio de espécies nativas, permitindo que o terreno recupere gradualmente sua capacidade hídrica, proteção e conservação do solo. Com o reflorestamento, volta também a fauna associada — aves, pequenos mamíferos e insetos que dependem da cobertura vegetal para sobreviver.
Ao recuperar o solo e recompor a cobertura vegetal, as áreas reabilitadas interrompem o avanço de voçorocas, evitam o processo de assoreamento de cursos d’água e passam a contribuir para a estabilidade das bacias hidrográficas, além de oferecer suporte às atividades rurais
Transparência e acompanhamento comunitário
Especialistas destacam que resíduos não perigosos da mineração podem desempenhar papel ambiental positivo quando aplicados com rigor técnico e dentro das exigências legais. A prática segue diretrizes de geotecnia e já é usada em diferentes regiões do país para recuperar taludes, contenções e áreas onde o solo desapareceu por completo.
As intervenções são licenciadas pelos órgãos ambientais e acompanhadas por responsáveis técnicos. A comunidade de Bom Sucesso, local mais afetado pelo avanço erosivo, participa de reuniões, visitas e ações educativas, fortalecendo a compreensão coletiva sobre o problema e sobre as técnicas empregadas.
Segundo o Grupo Tazay, o Projeto Ivoti atua na recuperação de áreas degradadas, com total transparência sobre a procedência e o uso dos materiais aplicados. O contato permanente com os moradores integra a rotina do trabalho e orienta cada decisão no campo.
Saiba mais sobre o projeto Ivoti Ambiental: ivotiambiental.com.br | @ivoti.ambiental
Fonte: Eduardo Diniz | Especialista Técnico em Projetos de Engenharia e Monitoramento Ivoti Ambiental

