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Detox capilar existe? Tricologista explica o que é mito e o que faz sentido após o fim do ano

Com a chegada de janeiro, as promessas de recomeço se espalham por todos os lados, da dieta à rotina de exercícios, e também chegam aos cuidados com os cabelos. Nas redes sociais e nas prateleiras, uma expressão volta a ganhar força: “detox capilar”. A dúvida, porém, permanece: a tendência tem fundamento ou é só mais um termo bem embalado pelo marketing?

Para a Dra. Fernanda Cassain, médica especialista em tricologia, a resposta passa por uma diferença básica: o fio de cabelo não “faz detox”, mas o couro cabeludo pode, sim, precisar de limpeza adequada e tratamento específico, principalmente depois de semanas de excesso de sol, mar, piscina e uso contínuo de finalizadores.

Segundo a tricologista, a ideia de desintoxicação vem do organismo e não se aplica ao fio. “Cabelo não tem metabolismo. Ele não elimina toxinas, não se regenera e não ‘desintoxica’”, afirma. Por isso, promessas de “limpar toxinas do fio” ou “purificar o cabelo por dentro” entram no campo do exagero comercial, já que o cabelo é uma estrutura morta.

Onde o discurso faz sentido, explica a médica, é no couro cabeludo, que é pele viva, com glândulas sebáceas, folículos e uma microbiota própria. “O que as pessoas chamam de detox capilar, na prática, geralmente é uma necessidade de higienização e equilíbrio do couro cabeludo”, pontua.

Depois das festas e viagens, é comum notar aumento de oleosidade, acúmulo de resíduos de cosméticos e sintomas como coceira, descamação e aquela sensação de “cabelo pesado” mesmo após lavar. O motivo costuma ser o excesso de sprays, cremes, shampoos a seco e outros produtos de finalização, somado a mudanças no clima e até na alimentação. “Nesses casos, faz sentido pensar em limpeza direcionada do couro cabeludo, e não em detox do fio”, explica.

Entre as medidas que realmente podem ajudar, a Dra. Fernanda cita o uso pontual de shampoos de limpeza mais profunda, a redução temporária do excesso de finalizadores e, quando indicado, a esfoliação do couro cabeludo. Ela alerta, no entanto, para um erro comum: exagerar na limpeza. “Limpar não é agredir. O problema é quando a pessoa acha que quanto mais ‘detox’, melhor. Couro cabeludo em excesso de limpeza também inflama”, diz.

A especialista também chama atenção para protocolos padronizados que prometem resultados iguais para todo mundo. “Não existe um produto único que sirva para todos. Couro cabeludo oleoso, seco, sensível ou com doença inflamatória precisa de abordagens diferentes”, ressalta.

Quando há sintomas persistentes, a recomendação é procurar avaliação médica, já que nem tudo é “resíduo acumulado”. “Muitas vezes o que parece ‘cabelo intoxicado’ é, na verdade, um couro cabeludo inflamado ou uma condição clínica que precisa de diagnóstico”, reforça.

No balanço final, a médica resume: detox do fio é mito, mas cuidar do couro cabeludo com critério e orientação faz sentido, especialmente em um período de “reinício” como janeiro. “O começo do ano é um ótimo momento para reorganizar hábitos. Mas, no cabelo, menos fantasia e mais critério costuma dar melhores resultados”, conclui.

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