Economia e Negócios

Carrinho mais cheio: férias escolares impulsionam consumo nos supermercados


Em 2025, pesquisa da Datatudo apontou que muitos lares enfrentam dificuldade para organizar as despesas de consumo nos dias em que as crianças estão em casa

É janeiro, as crianças estão o dia inteiro em casa e os pais sentem no bolso os efeitos disso. Durante as férias, a ida ao supermercado passa a refletir de forma clara a mudança no consumo das famílias. Sem as refeições programadas da merenda escolar, o carrinho de compras tende a ficar mais cheio, e diferente, impondo a necessidade de planejar para dar conta dos cafés da manhã, lanches, almoços e outras comilanças ao longo do dia.

Ano passado, uma pesquisa da Datatudo analisou o comportamento de famílias durante as férias escolares no Brasil e apontou que muitas residências enfrentam desafios de planejamento financeiro e organização de gastos no recesso das crianças, inclusive com alimentação.

Entre os principais impactos percebidos está o crescimento da compra de itens para lanches rápidos e práticos: biscoitos, pães, bolos, iogurtes, achocolatados, cereais matinais, sucos prontos e congelados. Produtos associados ao entretenimento das crianças, como pipoca, sorvetes e snacks, também costumam registrar aumento de demanda, impulsionados pelo maior tempo em frente à televisão, aos jogos e às atividades em casa.

Ao mesmo tempo, há um incremento na compra de alimentos básicos e ingredientes para preparo de refeições completas. Arroz, feijão, massas, carnes, ovos e hortifrutis passam a ser adquiridos em maior quantidade, já que muitas famílias optam por concentrar mais refeições dentro do lar.

Segundo Carlos Vasconcelos, diretor do supermercado Hipermarket, associado à Rede Uniforça, o impacto das férias é perceptível. “A gente nota que o fluxo de compras aumenta quando as crianças estão de férias, com uma procura maior por produtos voltados a esse público, principalmente aqueles associados à praticidade. E cresce a venda de itens básicos, porque as famílias cozinham mais”, explica. Ele destaca ainda que, nos últimos anos, alguns consumidores têm buscado alternativas mais equilibradas. “Já vemos mais interesse por versões integrais, iogurtes com menos açúcar e frutas prontas para consumo”, acrescenta.

Para a nutricionista Paloma Ramalho, as férias podem ser uma oportunidade estratégica para diversificar a alimentação das crianças. Ela dá duas orientações simples que ajudam as famílias a economizar e garantir boa nutrição: “Variar as formas de preparo dos alimentos naturais ajuda a romper com a mesmice. Frutas podem ser servidas como espetinhos coloridos, vitaminas ou picolés caseiros; legumes podem aparecer em panquecas, bolinhos assados ou molhos”, sugere.

A segunda recomendação envolve o equilíbrio nas escolhas. “Não temos que proibir alimentos que as crianças gostam, mas ampliar o repertório. Combinar um lanche mais permissivo com opções nutritivas, como frutas e castanhas, ajuda a construir uma relação mais saudável com a comida”, orienta a nutricionista.

Assim, embora as férias escolares tragam desafios para o orçamento e para a organização das compras, elas também abrem espaço para novas experiências alimentares. Com planejamento e escolhas conscientes no supermercado, é possível atravessar o período garantindo praticidade, prazer à mesa e cuidado com a saúde das crianças.

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