Saúde

Novembro Azul: câncer de próstata mata cerca de 50 homens por dia no Brasil, um a cada 30 minutos

País registrou aproximadamente 18,5 mil mortes pela doença em 2025; campanha reforça a importância da informação e da avaliação médica individualizada

A cada 30 minutos, aproximadamente um homem morre de câncer de próstata no Brasil. São cerca de duas mortes por hora e 50 por dia, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Em 2025, a doença provocou aproximadamente 18,5 mil óbitos no país. O cenário reforça o alerta do Novembro Azul para a necessidade de superar o constrangimento, esclarecer dúvidas e incorporar o acompanhamento médico à rotina masculina.

A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) é de 77.920 novos casos por ano entre 2026 e 2028. Excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata é o mais incidente entre os homens brasileiros. Os números evidenciam a dimensão de uma doença que pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais.

“O Novembro Azul precisa ir além do lembrete para fazer exames. É uma oportunidade para aproximar os homens do cuidado com a própria saúde, avaliar o histórico familiar e esclarecer quais condutas fazem sentido para cada paciente”, afirma o médico urologista Wagner Kono.

A idade é um dos principais fatores de risco, com aumento significativo da incidência e da mortalidade após os 60 anos. Ter pai ou irmão diagnosticado antes dessa idade também merece atenção. O excesso de gordura corporal, por sua vez, está associado ao maior risco de desenvolver a doença em estágio avançado.

Dificuldade para urinar, diminuição da força do jato, necessidade de ir ao banheiro com mais frequência e sangue na urina devem ser investigados. Embora essas alterações sejam frequentemente provocadas por condições benignas, não devem ser atribuídas automaticamente ao envelhecimento.

“Muitos homens adiam a consulta por vergonha ou porque acreditam que as mudanças ao urinar são inevitáveis com o passar dos anos. Investigar a causa é fundamental, inclusive para identificar problemas que não são câncer e que também precisam de tratamento”, explica Wagner Kono.

Para homens sem sintomas, a decisão sobre exames exige informação. A SBU recomenda avaliação médica individualizada a partir dos 50 anos, ou dos 45 para homens negros, com histórico familiar da doença ou obesidade. Já o Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento populacional, por envolver riscos como falsos positivos, diagnóstico de tumores que não ameaçariam a vida e tratamentos desnecessários. A discussão deve considerar os possíveis benefícios e danos, além das preferências do paciente.

Quando indicados, o exame de sangue PSA e o toque retal ajudam a identificar alterações suspeitas, mas não confirmam isoladamente o câncer. A confirmação depende da análise de tecido obtido por biópsia. Após o diagnóstico, a escolha do tratamento considera a extensão e as características do tumor, além das condições de saúde do paciente.

“Receber o diagnóstico não significa que todos terão a mesma trajetória ou precisarão da mesma conduta. O essencial é ter uma avaliação cuidadosa e compreender as opções disponíveis. A conscientização de novembro deve se transformar em cuidado durante todo o ano”, conclui Wagner Kono.

(Crédito: Arquivo Pessoal)

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