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Estrela Negra: Bianca Ellen une trapézio fixo e música em espetáculo que propõe a rebeldia de criar e experimentar em circo

Fotos: Divulgação/Breno de Lacerda

Entre o peso da matéria e a leveza do sonho, uma estrela atravessa o ar e se camufla na escuridão. No dia 21 de junho, às 20h, no Teatro Dragão do Mar, o público é convidado a mergulhar em uma experiência sensorial singular e plural com a estreia de Estrela Negra, espetáculo de trapézio fixo criado e interpretado pela artista circense Bianca Ellen. No palco, a obra une acrobacias suspensas e sonoridades ecoam do solo, para uma investigação poética sobre liberdade, rebeldia e criação. A apresentação tem entrada gratuita, classificação livre e recursos de acessibilidade em Libras e audiodescrição.

O trapézio fixo, uma das modalidades mais tradicionais das artes circenses aéreas, é remontado através da transversalidade entre as linguagens do circo, da música e da filosofia, para criar um ambiente sensorial intenso, onde público e artista se envolvem em movimentos e sonoridades alternativas. Bianca, trapezista desde 2018, traz ao palco impulsos e sinapses que disparam do corpo da artista e ganham outros sentidos a partir de quem acessa a obra.

É no espaço entre a suspensão e a aterrissagem que nasce Estrela Negra. Em cena, Bianca Ellen estabelece um diálogo intenso entre corpo suspenso, música ao vivo e acrobacia aérea expandida. A trilha, executada por saxofone e bateria, atravessa referências do jazz e da cultura punk, criando paisagens sonoras que reverberam no imaginário.

Bianca, também conhecida como Bugzinha, seu nome artístico de DJ, revela que sua pesquisa musical a influenciou na criação do espetáculo. Para a artista, “cada gesto realizado parece responder a uma frequência invisível, sendo conduzido pelas sonoridades que atravessam o espaço, como se o movimento fosse produzido por forças que habitam além do que os olhos alcançam”.

O nome do espetáculo parte da ideia de matéria escura, elemento misterioso que compõe grande parte do universo, sustentando galáxias e estruturas cósmicas sem jamais ser plenamente visto. Assim como essa substância invisível, a performance investiga aquilo que atravessa corpos, histórias e memórias sem necessariamente se tornar evidente.

A encruzilhada entre circo, música e filosofia constrói uma atmosfera imersiva onde o som vibra na pele e o movimento ganha densidade simbólica. O resultado é uma experiência que desloca as fronteiras entre espetáculo e estado sensorial, conduzindo o público por uma jornada de tensão, suspensão e transformação.

A obra encontra inspiração na dimensão poética e política de “Vidas Rebeldes, Belos Experimentos” (2022), da pensadora Saidiya Hartman. A partir da ideia de recriar imaginários radicais de jovens mulheres negras, Bianca Ellen desenvolve uma pesquisa de movimento marcada pela insurgência do corpo que se pendura, permitindo vivenciar a lentidão e o alongamento dos gestos.

Segundo Bianca, em Estrela Negra, “o trapézio deixa de ser apenas aparelho circense para se tornar metáfora, onde o corpo no ar desenha trajetórias que questionam limites e tensionam oposições”.

Serviço:
Estrela Negra
21 de junho, 20h
Teatro Dragão do Mar (R. Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema)
Entrada gratuita
Classificação livre
Acessibilidade em Libras e audiodescrição
Duração: 20 minutos
Capacidade: 40 pessoas

Ficha Técnica:
Intérprete-criadora: Bianca Ellen
Produção: Manguezil
Trilha sonora: Tuan Roque e Davinci
Figurino: Arara
Iluminação: Raoni
Rigger: Gil Rodrigues
Design: Lux Farr
Social Media: Naya Oliveira
Assessoria de Comunicação: Nerice Carioca

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