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Primeira edição da Cine Curimba acontece de 28 de fevereiroa 4 de março no Cine Santa Tereza

Mostra exibe 14 filmes que traçam um percurso das espiritualidades negras no Brasil. A programação é gratuita.

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O Cine Santa Tereza apresenta, entre os dias 24 de fevereiro e 4 de março, a primeira edição da Mostra Cine Curimba, dedicada às múltiplas relações que as espiritualidades negras construíram com o cinema brasileiro. A programação conta com a exibição de 14 filmes, entre curtas e longas-metragens, além de sessões comentadas. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados no site Sympla e na bilheteria do cinema 30 minutos antes da sessão.

A Mostra Cine Curimba integra a programação do Circuito Municipal de Cultura, projeto realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura, em parceria com o Instituto Odeon. Mais informações pelo site do Circuito Municipal de Cultura.

A curadoria dos filmes da Mostra Cine Curimbaé do artista, poeta e produtor cultural do Cine Santa Tereza, César Gilcevi, e do diretor e roteirista Ewerton Belico. A programação da primeira edição faz um recorte sobre as religiões de matriz africana e como essas manifestações criaram raízes na cultura brasileira, tornando-se parte indissociável das formas de vida coletiva.

Abrindo a programação no dia 24 de fevereiro, às 19h, a mostra traz o filme “Iaô”, de Geraldo Sarno, que documenta o processo de iniciação ao culto dos Orixás, entidades poderosas que regulam os fenômenos cósmicos, sociais e individuais. A exibição será seguida de sessão comentada pelo Coletivo Matuta – Comunidade de pesquisa em terreiro da Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente.

No dia 25, às 19h, acontece a exibição do documentário “Cavalo”, de Rafhael Barbosa e Werner Salles. O filme circula entre a ficção, produção e experimentação para falar sobre a memória da ancestralidade no corpo. A sessão será comentada pelo cantor, compositor, multi-instrumentista, ator e diretor musical Sérgio Pererê.


A programação continua no dia 26, às 19h, com o filme “Exú Tranca Rua & Seus caminhos”, de Luis Ferreirah. O documentário explora as raízes e mistérios do Batuque no Rio Grande do Sul e revela a conexão profunda com a entidade Exu Tranca Ruas das Almas, mergulhando na fé, tradições e influência cultural dessa entidade na religiosidade afro-brasileira. Após a exibição do filme, haverá sessão comentada por Rainha Isabel Belinha, presidente da Guarda de Moçambique Treze de Maio de Nossa Senhora do Rosário, e Mame’tu kitaloya Olasindé, fundadora da Arca Brasileira Jacutá de Iansã.

A sessão do dia 27, às 19h, traz a exibição de cinco curtas: “Guardião dos Caminhos”, de Milena Manfredini; “Pattaki”, de Everlane Moraes; “A Boca do Mundo: Exu no Candomblé”, de Eliane Coster; “Sai dessa, Exu!”, de Roberto Moura; e “Pomba Gira”, de Maja Vargas e Patrícia Guimarães. A partir do simbolismo e da mítica sobre o orixá Exú, senhor de todos os caminhos, o filme experimentação “Guardião dos caminhos” aponta para leituras desse mensageiro de caminhos. O documentário “Pattaki” remete as águas que regem e nutrem a vida em um “filme-oferenda” para Iemanjá, enquanto “A Boca do Mundo: Exu no Candomblé” propõe uma abordagem etnográfica e experimental sobre as múltiplas manifestações culturais de EXU, orixá/deus da religião afro-brasileira Candomblé. O filme “Sai dessa, Exu!” fala sobre as origens históricas e o desenvolvimento da macumba no Rio de Janeiro, chamando a atenção para os aspectos de burocratização do culto e para a “penetração do branco” e seu reconhecimento como religião de massa, e “Pomba Gira” aborda um personagem feminino mítico que vem do inferno para resolver questões domésticas e sexuais.

Com exibição no dia 28, às 19h, o longa “Orí”, de Raquel Gerber, destaca história pessoal de Beatriz Nascimento como pano de fundo para a compreensão dos movimentos negros brasileiros entre 1977 e 1988 e a relação entre Brasil e África. A programação do dia 1º de março recebe o documentário, às 17h, “Santo Forte”, de Eduardo Coutinho, que investiga as formas de apropriação de religiões praticadas no Brasil, a partir de relatos de moradores da favela Vila Parque da Cidade, no Rio de Janeiro, que contam suas experiências. Em seguida, às 19h, acontece a reexibição do “Iaô”, de Geraldo Sarno. 

No dia 3 de março, às 19h, a mostra exibe “Exu Mangueira”, de Jom Tob Azulay, documentário etnográfico sobre Umbanda e Quimbanda filmado na favela da Rocinha (RJ), em um terreiro cujo chefe do chão era Exu Mangueira; e “Teu nome veio de África”, de Maria Luiza Aboim, que aborda a iniciação no candomblé de Florenir, aos 26 anos: a festa e a vida durante o resguardo. A sessão será comentada por Pai Yorotaman, sacerdote, professor, palestrante, ex-Coordenador do Conselho Nacional da Umbanda do Brasil, e Ajítẹnà Marco Scarassatti, educador, compositor, artista sonoro e improvisador.
A primeira edição da Mostra Cine Curimba encerra no dia 4 de março, às 19h, com o documentário “Vira a volta que faz o nó” (A pàdé Olóònòn mo júbà Òjìsé), de Ewerton Belico, Luiz Pretti, Ajítẹnà Marco Scarassatti e Ricardo Aleixo. O encerramento conta também com a exibição de “Ouroboros”, de Pedro Vasseur, uma imersão cinematográfica na poesia-performance do artista César Gilcevi, que traz a encruzilhada de Exu e a dança sagrada do eterno retorno. A sessão será comentada por César Gilcevi e Ewerton Belico, curadores da mostra.

Sobre o Circuito Municipal de Cultura

O Circuito Municipal de Cultura foi criado com o compromisso de oferecer uma programação contínua, em diversos formatos, a partir de ações descentralizadas nas nove regionais da PBH. Desde então, o projeto tem realizado shows, espetáculos cênicos, intervenções urbanas, exibição de filmes e mostras temáticas, além de atividades de reflexão e formação em diferentes linguagens artísticas, reforçando seu importante papel de fomento.

Entre dezembro de 2019, quando foi lançado, e dezembro de 2025, o Circuito Municipal de Cultura realizou 1352 atividades artísticas e culturais, que alcançaram um público estimado de aproximadamente 649 mil pessoas. Incluindo ações presenciais, virtuais e híbridas, a programação movimentou a contratação de aproximadamente 9350 artistas e profissionais técnicos da cadeia produtiva da cultura.

CIRCUITO MUNICIPAL DE CULTURA

Mostra Cine Curimba

Quando. De 28 de fevereiro a 4 de março

Horário. Ver programação  
Onde. R. Estrela do Sul, 89, Santa Tereza – BH/MG

Quanto. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados no site Sympla e na bilheteria do cinema 30 minutos antes da sessão.

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Duração. Ver programação

Programação
24 de fevereiro | Terça-feira | 19h
Iaô

(Geraldo Sarno | Brasil | 1976 | Documentário | 70 min)

Classificação indicativa: 12 anos
Sessão comentada por Coletivo Matuta – Comunidade de pesquisa em terreiro da Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente. Mediação: Ewerton Belico25 de fevereiro | Quarta-feira | 19h
Cavalo

(Rafhael Barbosa/Werner Salles | Brasil | 2020 | Documentário | 84 min)

Classificação indicativa: 14 anosSessão comentada por José Sérgio Pereira (Sérgio Pererê). Mediação: Ewerton Belico

26 de fevereiro | Quinta-feira | 19h
Exú Tranca Rua & Seus caminhos

(Luis Ferreirah | Brasil | 2024 | Documentário | 70 min)

Classificação indicativa: 16 anos
Sessão comentada por Rainha Isabel Belinha e Mame’tu kitaloya Olasindé. Mediação: Ewerton Belico


27 de fevereiro | Sexta-feira | 19h | Curtas

Guardião dos caminhos
(Milena Manfredini | Brasil | 2020 | Experimental | 5min)

Classificação indicativa: 14 anos


Pattaki

(Everlane Moraes | Brasil | 2019 | Documentário | 21 min)

Classificação indicativa: 12 anos

A Boca do Mundo: Exu no Candomblé

(Eliane Coster | Brasil | 2009 | Documentário | 26 min)

Classificação indicativa: 16 anos

Sai dessa, Exu!

(Roberto Moura | Brasil | 1972 | Documentário | 18 min)

Classificação indicativa: 12 anos

Pomba Gira

(Maja Vargas/Patrícia Guimarães | Brasil | 1998 | Documentário | 15 min)

Classificação indicativa: 16 anos

28 de fevereiro | Sábado | 19h
Orì

(Raquel Gerber | Brasil | 1989 | Documentário | 80 min)

Classificação indicativa: 12 anos

01 de março | Domingo | 17h

Santo Forte

(Eduardo Coutinho | Brasil | 1999 | Documentário | 80 min)

Classificação indicativa: 12 anos

01 de março | Domingo | 19h
Iaô (segunda exibição)

(Geraldo Sarno | Brasil | 1976 | Documentário | 70 min)

Classificação indicativa: 12 anos

03 de março | Terça-feira | 19h

Exu Mangueira

(Jom Tob Azulay | Brasil | 1974 | Documentário | 45 min)

Classificação indicativa: 12 anos

Teu nome veio de África

(Maria Luiza Aboim | Brasil | 1979 | Documentário | 40 min)

Classificação indicativa: 18 anos
Sessão comentada por Pai Yorotaman e Ajítẹnà Marco Scarassatti

04 de março | Quarta-feira | 19h
Vira a volta que faz o nó

(Ewerton Belico/Luiz Pretti/Ajítẹnà Marco Scarassatti/Ricardo Aleixo | Brasil | 2021 | Documentário | 26 min)

Classificação indicativa: livre

Ouroboros

(Pedro vasseur | Brasil | Ficção | 2021 | 10 min)

Classificação indicativa: 12 anos

Sessão comentada por César Gilcevi e Ewerton Belico

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