Morador Histórico de Barra do Garças Narra Episódio Marcante da História Xavante”
O projeto “PÃO DA NOVA GERAÇÃO, está sendo conduzido pela empresa AGÊNCIA PÊSSEGO E MAÇÃ LTDA, CNPJ nº 48.065.526/0001/86, tendo como Sócia Administrativa a Carlita Rodrigues Macedo. O conteúdo da pesquisa, baseado no depoimento oral do morador histórico Antônio Orlando da Silva, resultou no Livro Documental “Mario Juruna e o Casamento com Índia Janaina Calunga”.
Este trabalho integra as ações culturais propostas no projeto “Pão da Nova Geração”. A partir do relato de Antônio Orlando da Silva, residente histórico de Barra do Garças, o livro revive suas experiências de convivência com os índios da Aldeia Xavante, onde se aprofundou nos costumes, modos de vida e desafios de sobrevivência dessa comunidade.
Entre as histórias narradas, destaca-se o controverso e frustrante episódio envolvendo o suposto casamento entre Mario Juruna e a Índia Janaina Calunga. Apesar de já ser casada e não adquirir novos direitos legais por essa união nupcial, Janaina Calunga demonstrou intenções de se apropriar dos bens materiais e patrimoniais de Mario Juruna. Utilizando artimanhas, ela criou armadilhas para restringir sua liberdade, comparando-se ao ato simbólico de aprisionar um pássaro sem asas. Embora alguns integrantes da comunidade Xavante estivessem cientes das armações de Janaina Calunga e até as apoiassem, ninguém questionava ou interferia, pois entendiam que ela era fruto das escolhas feitas pelo próprio Mario Juruna.
Segundo o relato do morador histórico Antônio Orlando da Silva, durante uma de suas expedições à Aldeia Curueno da Tribo Xavante, ele presenciou mulheres indígenas banhando-se no rio completamente despidas, em sua forma natural. Entre elas, destacava-se a *Índia Janaina Calunga*, conhecida como a adorada e venerada integrante da tribo, além de ser escolhida por Mário Juruna como sua futura esposa. *Janaina Calunga* possuía pele escura, olhos marcantes e longos cabelos negros. Embora fosse casada com Apoema, irmão de Mário Juruna, isso não parecia ser um impedimento para um novo casamento com o líder.
Antônio Orlando mencionou não saber se os cabelos de Janaina eram naturais ou fruto de artifícios como uma peruca. Segundo ele, com a aproximação dos Xavante ao modo de vida dos brancos, muitos indígenas começaram a frequentar mercados, farmácias, shoppings, salões de beleza e clínicas de estética, o que pode ter influenciado seus costumes.
Ainda conforme o relato, a principal atração de *Janaina Calunga* dentro da tribo era sua aparência física, sobretudo seus seios, que estavam naturalmente expostos na convivência comunitária. No entanto, existia uma norma estabelecida pela anciã da tribo que impunha respeito absoluto. Caso houvesse qualquer comportamento inadequado por parte de um índio ou mesmo de um homem branco, a índia tinha o direito de comunicar o ocorrido à liderança da tribo. A anciã decidia as punições necessárias para manter a harmonia e proteger as mulheres indígenas de qualquer desrespeito.

