Papada nem sempre é gordura: como identificar retenção, edema ou acúmulo localizado
O aumento da papada nem sempre está relacionado apenas ao ganho de peso. Em muitos casos, o volume abaixo do queixo pode ser consequência de retenção de líquidos, edema ou gordura localizada, condições distintas que exigem abordagens e tratamentos diferentes. Identificar corretamente a origem do problema é fundamental para evitar procedimentos inadequados e alcançar resultados mais eficazes.
Segundo especialistas, a região submentoniana, área abaixo do queixo, é sensível a diversos fatores. Alimentação rica em sódio, alterações hormonais, processos inflamatórios, problemas circulatórios, postura inadequada, envelhecimento da pele e flacidez podem provocar mudanças no contorno facial. Por isso, a avaliação correta é o primeiro passo antes de qualquer intervenção estética.
De acordo com Alyne Cavalcante, cirurgiã-dentista especialista em lipoaspiração de papada e contorno facial, cada tipo de alteração apresenta sinais específicos. “A retenção de líquidos costuma causar um inchaço flutuante, que varia ao longo do dia e está muito associada à alimentação, ao consumo excessivo de sal e à hidratação inadequada”, explica. Nesses casos, mudanças de hábitos, ajustes na dieta e melhora da circulação costumam trazer bons resultados.
Já a gordura localizada tem comportamento diferente. “A gordura é mais estável, não oscila tanto durante o dia e geralmente está relacionada a fatores genéticos, hormonais ou ao próprio acúmulo de tecido adiposo na região”, afirma a cirurgiã-dentista. Nesses casos, procedimentos específicos podem ser indicados, desde que haja diagnóstico preciso.
Outro ponto de atenção é o edema, que pode indicar processos inflamatórios ou até problemas de saúde. “Quando o inchaço vem acompanhado de dor, sensibilidade, vermelhidão ou não regride com medidas simples, é preciso investigar. Nem todo volume na papada é estético, algumas vezes é um sinal clínico”, alerta Alyne Cavalcante.
A especialista reforça que a avaliação profissional é indispensável antes de qualquer procedimento. “Tratar papada sem entender a causa é um erro comum. Cada situação pede uma abordagem diferente, que pode ir desde correção de postura e cuidados clínicos até procedimentos específicos”, destaca.
Além disso, fatores como envelhecimento e flacidez da pele também influenciam a aparência da papada, mesmo em pessoas magras. A perda de colágeno e a diminuição da sustentação dos tecidos alteram o contorno facial ao longo do tempo, exigindo tratamentos voltados para firmeza e qualidade da pele.
Para a cirurgiã-dentista, informação e critério são essenciais. “O melhor resultado estético é sempre aquele que respeita o diagnóstico correto. Nem tudo se resolve com cirurgia, assim como nem tudo se resolve sem ela. O segredo está na indicação adequada”, conclui.

