Saúde

Janeiro Branco: Cuidados com a saúde mental devem ser redobrados no ambiente de trabalho, aponta especialista

Depressão, ansiedade e estresse crônico são as principais causas de afastamento por transtornos emocionais

O Janeiro Branco é o mês dedicado à conscientização e debate sobre saúde mental em todos os âmbitos da sociedade. Contudo, é necessário atenção especial ao ambiente de trabalho, onde em 2024 cerca de 470 mil pessoas se afastaram por algum transtorno emocional, de acordo com dados do Ministério da Previdência Social. O tema ganha ainda mais relevância diante das transformações nas relações de trabalho e do avanço das discussões sobre riscos psicossociais nas organizações.

Questões como estresse excessivo, sobrecarga de demandas, assédio moral e falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional estão entre os principais fatores que impactam a saúde emocional. Segundo especialistas, esses problemas refletem diretamente no aumento de afastamentos, na queda da produtividade e no clima organizacional.

Para Kássia Sales, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Ceará (ABRH-CE), o Janeiro Branco é uma oportunidade para que as empresas avancem além das campanhas pontuais e adotem práticas contínuas de promoção e prevenção relacionadas ao bem-estar emocional. “O cuidado com a saúde mental deixou de ser apenas uma pauta de bem-estar e passou a ser estratégico para a sustentabilidade dos negócios”, avalia a presidente.

Ela destaca ainda que as empresas precisam acompanhar de perto as mudanças nas normas e nas exigências relacionadas à gestão de pessoas para criarem ambientes de trabalho mais seguros do ponto de vista emocional. “Com a atualização da NR-01 do Ministério do Trabalho e Emprego, a saúde mental passa a ocupar um lugar central na gestão das empresas. A norma deixa claro que riscos psicossociais, como estresse crônico, assédio moral, sobrecarga de trabalho e a falta de apoio organizacional, precisam ser identificados, avaliados e prevenidos”, complementa.

Segundo estudos da Organização Mundial da Saúde, ansiedade e depressão já são responsáveis pela perda de cerca de 12 bilhões de dias úteis por ano no mundo, com impacto econômico estimado em um trilhão de dólares.

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